A Revista Fronteira nasce como uma mídia independente dedicada à análise crítica das relações internacionais, dos conflitos contemporâneos e das estruturas de poder que organizam o mundo.
Em um cenário marcado por guerras prolongadas, disputas entre grandes potências, crises econômicas recorrentes e manipulação sistemática da informação, recusamos a leitura superficial dos acontecimentos globais. Optamos por uma abordagem que combine rigor analítico, investigação histórica e franqueza intelectual — sem alinhamentos automáticos, sem reverência a centros de poder, sem concessões ao consenso fabricado.
Por que outra revista de relações internacionais?
Porque a geopolítica não é um campo neutro. Ela expressa projetos de poder, hierarquias estruturais e disputas materiais que atravessam territórios, povos e Estados. As narrativas dominantes sobre conflitos, crises e transformações globais são produzidas, em grande medida, por instituições que participam ativamente dessas disputas — governos, corporações transnacionais, conglomerados midiáticos, think tanks financiados por interesses específicos e organizações internacionais que refletem correlações de força entre potências.
O resultado é previsível: enquadramentos que naturalizam hegemonias, análises que omitem contextos históricos, coberturas que invisibilizam populações inteiras e interpretações que legitimam intervenções, sanções e guerras. O debate público sobre o mundo se empobrece quando as perguntas incômodas deixam de ser feitas, quando as alternativas ao status quo são descartadas antes mesmo de serem examinadas.
A Revista Fronteira surge para ocupar esse espaço de questionamento. Não como porta-voz de qualquer bloco geopolítico, mas como plataforma para análise crítica que recusa tanto o atlantismo hegemônico quanto a adesão acrítica a projetos autoritários que se apresentam como anti-imperialistas. Nosso compromisso é com a compreensão rigorosa dos processos históricos, não com a defesa de centros de poder — sejam eles ocidentais, orientais ou regionais.
O que fazemos
Nossa produção articula jornalismo interpretativo, ensaio analítico e pesquisa histórica. Publicamos análises de conjuntura sobre conflitos em curso, dossiês temáticos que reconstroem processos de longa duração, textos de formação conceitual para estudantes e pesquisadores, críticas sistemáticas de enquadramentos midiáticos e entrevistas com intelectuais comprometidos com a compreensão profunda dos processos internacionais.
Valorizamos a contextualização que situa eventos em suas raízes históricas, a complexidade que resiste a reducionismos binários e a argumentação fundamentada em dados, documentos e bibliografia especializada. Cada texto publicado distingue claramente entre fatos verificáveis, análise interpretativa e posicionamento político — porque rigor metodológico e transparência editorial são condições para qualquer debate sério.
Nossos eixos temáticos incluem:
Conflitos contemporâneos: análise de guerras, intervenções militares, disputas territoriais e processos de militarização, com atenção às raízes históricas, aos atores envolvidos e às populações afetadas.
Arquitetura de poder global: funcionamento de instituições internacionais, mecanismos de sanção econômica, regimes de comércio e finanças, tratados militares e sistemas de aliança que estruturam hierarquias entre Estados.
Disputas por hegemonia: competição entre Estados Unidos, China, Rússia e potências regionais, incluindo análise de estratégias econômicas, projeção militar, guerra informacional e diplomacia das organizações multilaterais.
Resistências e autodeterminação: movimentos de libertação nacional, processos de descolonização inacabados, lutas por soberania popular e experiências de construção de alternativas políticas em contextos periféricos.
Crítica da mídia internacional: análise de enquadramentos jornalísticos, omissões sistemáticas, produção de consensos e o papel dos conglomerados de comunicação na legitimação de políticas internacionais.
IMAGEM; meta-descrição: mapa-múndi político destacando regiões periféricas do sistema internacional; legenda: A geopolítica mundial vista a partir das margens — América Latina, África, Oriente Médio e Ásia como centros produtores de análise política [Revista Fronteira]
Centralidade das periferias
A Revista Fronteira dedica atenção especial às regiões historicamente marginalizadas nos debates globais — América Latina, África, Oriente Médio e Ásia — não como objetos passivos de análise produzida em centros acadêmicos do Norte, mas como espaços que produzem política, história e pensamento estratégico.
Esses territórios concentram a maioria da população mundial, abrigam os principais recursos naturais disputados pelas potências, experimentam os impactos mais brutais das guerras e crises econômicas e desenvolvem tradições intelectuais próprias para compreender o sistema internacional. Ignorar essas experiências é reproduzir a colonialidade epistêmica que ancora as relações internacionais convencionais.
Por isso, priorizamos fontes locais, pesquisadores dessas regiões, dados produzidos por instituições do continente africano, asiático e latino-americano, e perspectivas que interrogam o sistema internacional a partir de quem sofre suas consequências mais violentas. Não se trata de romantizar periferias ou essencializar resistências, mas de reconhecer que compreender o mundo exige descentrar o olhar dos polos tradicionais de produção de conhecimento.
Quem escreve para a Fronteira
Nosso time editorial reúne jornalistas, pesquisadores, historiadores e analistas internacionais com formação em diferentes tradições críticas — desde o realismo periférico até o pensamento decolonial, passando por abordagens marxistas, estudos pós-coloniais e geopolítica clássica. Não exigimos unidade ideológica, mas comprometimento com rigor analítico, transparência metodológica e recusa aos alinhamentos automáticos.
Publicamos tanto colaboradores regulares quanto textos externos de intelectuais, ativistas e jornalistas cujo trabalho dialoga com nossa linha editorial. Cada autor identifica sua trajetória, vínculos institucionais e posições políticas relevantes para a leitura do texto — porque transparência sobre quem fala, de onde fala e com que interesses é parte do contrato de honestidade com o leitor.
Para quem escrevemos
Nosso público inclui estudantes de relações internacionais, ciência política, história e jornalismo que buscam análises que vão além dos manuais convencionais; pesquisadores interessados em abordagens críticas e contra-hegemônicas; jornalistas que procuram contextualização profunda para além dos press releases oficiais; e leitores politicamente engajados que recusam o enquadramento midiático dominante.
Escrevemos para quem desconfia das versões únicas, questiona as narrativas de “comunidade internacional” que escondem projetos imperiais, e procura instrumentos teóricos e empíricos para compreender as disputas reais que estruturam o mundo contemporâneo. Nosso compromisso é fornecer análise substancial, não entretenimento político; profundidade interpretativa, não manchetes viralizáveis.
Nossos princípios editoriais
Independência absoluta: não recebemos financiamento de governos, partidos políticos, corporações ou fundações vinculadas a projetos geopolíticos específicos. Nossa sustentação vem de assinaturas, doações individuais e parcerias editoriais transparentes com outras mídias independentes.
Rigor metodológico: cada afirmação factual é verificada, cada análise é fundamentada em dados e bibliografia, cada interpretação distingue-se claramente de opinião. Corrigimos erros publicamente e mantemos arquivo de todas as versões de textos editados.
Pluralismo crítico: dialogamos com diferentes tradições analíticas desde que fundamentadas e comprometidas com a compreensão rigorosa dos processos históricos. Recusamos tanto o dogmatismo ideológico quanto o ecletismo vazio que equaliza qualquer perspectiva.
Franqueza ética: nenhum ator político, econômico ou militar está imune à crítica. Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia, Israel, governos progressistas latino-americanos, regimes do Golfo Pérsico, potências regionais africanas, organizações internacionais, ONGs e movimentos sociais podem e devem ser analisados sem condescendência quando suas ações demandam escrutínio.
Compromisso com a verificabilidade: todas as nossas análises citam fontes primárias — relatórios governamentais, documentos de organizações internacionais, dados estatísticos oficiais, pesquisas acadêmicas revisadas por pares, investigações jornalísticas originais. O leitor deve poder verificar nossas afirmações e contestar nossas interpretações com base nos mesmos materiais.
O que não somos
Não somos uma publicação acadêmica de acesso restrito, mas incorporamos rigor acadêmico em linguagem acessível. Não somos um site de notícias de última hora, mas analisamos acontecimentos recentes com profundidade histórica. Não somos uma plataforma de opinião pessoal descontextualizada, mas valorizamos ensaios interpretativs fundamentados.
Não praticamos neutralidade que esconde posições políticas sob retórica técnica. Não aderimos ao “equilíbrio” jornalístico que equaliza vítimas e algozes, invasores e invadidos, potências nucleares e populações sitiadas. Não confundimos multipolaridade geopolítica com democratização do sistema internacional — sabemos que a emergência de novos polos de poder não garante, por si só, justiça global ou emancipação popular.
Não somos tribunos de nenhuma causa que dispense análise crítica. Apoiar a autodeterminação palestina não significa ignorar contradições internas dos movimentos de resistência; criticar o expansionismo da OTAN não implica romantizar o autoritarismo russo; questionar o unilateralismo norte-americano não equivale a endossar o capitalismo de Estado chinês; defender processos progressistas latino-americanos não nos impede de examinar seus limites e impasses.
Uma disputa de sentidos
Aqui, nenhum império é invisível, nenhuma potência é sagrada e nenhuma narrativa é aceita sem questionamento. Não praticamos neutralidade vazia, mas sim rigor crítico. Não buscamos viralização, mas compreensão. Não oferecemos respostas prontas, mas instrumentos para pensar.
A Revista Fronteira é, acima de tudo, um espaço de disputa de ideias. Porque compreender o mundo é também disputar seus sentidos — e disputar seus sentidos é disputar o futuro. Cada análise que publicamos é uma aposta na possibilidade de que a reflexão crítica, o debate fundamentado e a recusa aos consensos fabricados possam ampliar os horizontes do politicamente imaginável.
Vivemos um momento em que as certezas geopolíticas do pós-Guerra Fria se desfazem, em que antigas hegemonias vacilam sem que novas ordens emancipatórias se consolidem, em que guerras se multiplicam enquanto instituições internacionais revelam sua impotência estrutural. Nesse contexto, a tarefa intelectual urgente não é escolher entre potências em disputa, mas compreender as forças históricas em movimento, identificar as contradições dos sistemas de poder e mapear as possibilidades de transformação.
É para essa tarefa que a Revista Fronteira se dedica. Bem-vindos ao debate.
Referências
Este editorial expressa os princípios editoriais da Revista Fronteira e foi elaborado coletivamente pela equipe editorial. Para sugestões de pauta, propostas de colaboração ou questionamentos sobre nossa linha editorial: contato@revistafronteira.com


