Rússia ameaça a economia europeia com gás após a Guerra

Com o Estreito de Ormuz fechado e o Qatar paralisado, a Europa descobre que abrir mão do gás russo foi uma decisão que pode custar caro demais.
Vladimir Putin [Crédito: Anadolu Agency]

dependência energética europeia da Rússia, que Bruxelas planejava encerrar até fins de 2027, pode se transformar em alavanca geopolítica decisiva nas mãos de Moscou. Com o Estreito de Ormuz bloqueado pela Terceira Guerra do Golfo e o Qatar paralisando a liquefação do gás, Putin ocupa hoje o único posto de fornecedor alternativo viável — e sabe disso.

Por que a crise energética europeia coloca a UE refém de Moscou

A decisão de cortar o GNL russo foi orquestrada por Washington para capturar o mercado energético europeu — com o Qatar como sócio estratégico. O conflito no Golfo desfez esse arranjo.

Segundo Andrew Korybko (Global Research, 8 mar. 2026), a disrupção energética em curso pode superar o embargo árabe de 1973. Com o vice-premier Alexander Novak confirmando o redirecionamento parcial do GNL russo à Índia e à China, Moscou sinaliza que a Europa precisa negociar — ou perder o fornecimento para sempre.

A crise energética que se avizinha pode superar a da COVID e até o embargo árabe de 1973 em termos de disrupção global.— Andrew Korybko, março de 2026

O preço exigido por Moscou é eminentemente político: concessões territoriais na Ucrânia, desmilitarização, neutralidade constitucional e reconfiguração da arquitetura de segurança europeia. A UE enfrenta agora uma escolha sem saída confortável — ceder às condições russas ou absorver o custo de um inverno sem gás.

Autor

  • A Redação da Revista Fronteira é dedicada à análise geopolítica crítica, com foco no Sul Global, energia, economia política e multipolaridade. Mais do que noticiar fatos, contextualiza estruturas de poder e tendências de longo prazo — investigando o que está por trás das manchetes e o que elas sinalizam para o futuro.

Leia os destaques: